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Madri | A decisão de ir

  • alinebmariano7
  • 10 de set. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 22 de jun. de 2024

Eu lembro como se fosse ontem do dia que eu resolvi embarcar nessa pequena "loucura" que tem sido Madri na minha vida. A decisão por si já foi difícil e, por mais que eu sempre me demonstre segura das minhas escolhas, confesso que essa me tirou algumas noites de sono por vários motivos: dúvidas, insegurança e falta de apoio de muitos lados.


Todos os tipos de perguntas remoíam a boca do meu estômago: "será que vou me virar sozinha?"; "será que é tão perigoso quanto estão me dizendo?"; "será que é tanta loucura assim?"; "será que eu deveria ter uns oito anos a menos para embarcar nisso?"; " Eu deveria ser solteira?". Eu já estava surtando!


A falta do apoio de fora então, afe, nem se fala. Quando eu tentava contar com animação sobre a minha aventura, esperando um: "Que legal!"; "É isso aí, vai nessa!", eu recebia muitas caretas e perguntas feitas para questionar - não só a viagem -, mas o meu propósito de vida (atenção que isso é importante: o MEU PROPÓSITO de vida), que só diz respeito a mim.


Muitos me perguntaram: "Estudar? Por que?"; "Mas tem a ver com a sua área?"; "Mas você já não foi estudar fora uma vez?". E pior, não parou por aí, porque tentaram acertar no meio do meu coração – e acertaram. "O seu marido não vai? Você não tem medo de ir sem ele?”. Pronto, quebrou toda minha meditação e mensagens afirmativas que eu tenho me dedicado há anos. Pa-ra-béns!


Ser independente e autossuficiente são características que eu sempre amei mim. Não tire isso de mim! Nunca! É verdade que o mundo é mais fácil para eles, não dá para ser hipócrita. Mas por eu ter nascido mulher tenho que me limitar a uma vida com menos experiências e dentro de uma redoma de conforto e segurança? Preciso, necessariamente, ter uma vida mais limitada? Claro que não.


Chegou o momento de filtrar o que eu ia carregar comigo e o que eu ia colocar o famoso "FODA-SE". Claro que quando se trata de algumas pessoas, que no fundo querem nos ver bem, é mais difícil simplesmente ignorarmos, e é um processo diário, que eu ainda preciso de muita terapia para saber lidar. Fato.


Eu trabalho na minha autoconfiança e na minha independência desde que eu posso me lembrar, mas tem decisões que são mais difíceis, tem momentos que estamos mais frágeis, e quando você tiver a oportunidade de apoiar alguém, apenas apoie. Lembre-se de que ninguém sabe o que vai acontecer e não dá para vivermos uma vida escondidos. Para os espectadores da vida do outro, só vale o apoio.


Então o que (ou quem) me deu força para estar aqui em Madri escrevendo essa história? Meu melhor amigo, claro, que um dia me viu tremendo de nervoso, e disse, delicadamente (para os padrões dele): “Para de ser otária, vai logo! Se você realmente precisar de mim, eu pego o primeiro vôo, mas confie em você. Se tem alguém que se vira bem sozinha, é você.”


E é verdade, ele tá certo. Sempre foi. Sempre fui. Sempre serei. Ele não precisa estar sempre comigo e não é obrigação dele "me proteger". Eu sei disso, ele sabe disso. Se outras pessoas não sabem, não importa, pois nós que resolvemos como vamos conduzir nossa vida e nosso relacionamento. Somos independentes e livres.


Respirei, inspirei, reavaliei e confiei (mais ou menos). Finalmente tomei a decisão. Tirei dinheiro de investimentos (porque até isso me perguntaram), comprei o que precisava, fiz uma lista gigante do que não poderia faltar e arrumei a minha mala.


As perguntas continuavam vindo, então eu parei de responder a algumas, e para as que não conseguia fugir, eu respondia e depois eliminava da minha cabeça. Eu me proibia a pensar nelas.


No dia da viagem, ele me levou até o aeroporto e me deu todas as palavras de conforto que alguém pode dar, me abraçou com força e disse: “se tem alguém que pode fazer tudo, é você. Pare de duvidar de você. Você é a pessoa mais inteligente que eu conheço, eu te amo, e estarei aqui quando voltar.”


Respirei, inspirei, reavaliei e confiei (mais ou menos), de novo. Entrei no avião e fui. Chorei, senti saudade (ainda sinto) dele, sofri.


Quando eu finalmente desembarquei em Madri, grande parte do meu medo ficou nos pensamentos de outros dias e agora não tinha mais jeito, eu tinha que me virar. Pensei: "Aline, agora é você por você. Só vai!".

Eu nunca vou esquecer de quando eu estava esperando o taxi no aeroporto Barajas – Madri, e eu vi o meu reflexo no espelho, sozinha com meus pensamentos. Nesse momento, eu percebi que meu maior medo (maior do que todos os outros) é um dia não ser capaz de fazer as coisas sozinha. Eu preciso ser independente! Preciso!


Não importa se eu sou feliz no meu casamento, com a minha vida, com a minha casa. Eu preciso saber que eu sou autossuficiente, inteligente, independente e capaz de me virar quando precisar.


Eu preciso, às vezes, me ver sozinha. E, honestamente, recomendo isso para você também. Seja livre, permita-se.


Vamos com tudo, Madri.


E até a próxima, querido e querida leitor e leitora.

















 
 
 

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