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Dá para atingir a felicidade?

  • alinebmariano7
  • 2 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

A busca pela felicidade, provavelmente, é o que vai te matar de depressão.  Calma, eu sei que eu pesei o clima, e desculpe por isso. Mas eu ouvi essa frase esses dias e, convenhamos, qual é a desse paradoxo realista e, para dizer o mínimo, mega contemporâneo? Afinal, quem não quer, finalmente, “chegar lá” e, finalmente, alcançar a felicidade?

 

Para onde a gente olha tem pessoas mais ricas, mais bonitas e mais bem relacionadas do que a gente. A régua tá insana, amores. Elas têm a bolsa da moda, a casa dos sonhos, barrigas com tanquinhos salientes e contas bancárias com o suficiente pra bancar a viagem pra Marte quando tudo explodir. Elas, sim, são felizes, certo? Elas sabem o caminho. Você, não. Então, o melhor a fazer é ouvi-las e segui-las, é claro. Mas será?

 

Se elas estão tão bem, por que cada vez mais ouvimos falar em procedimentos estéticos para atingir rostos e corpos irreais, dietas desumanas que desprezam o potencial de um bolo quentinho de vó, aumento em taxas de suicídio, diagnósticos de narcisismo e tantos outros distúrbios e doenças? Será mesmo que elas têm o passaporte premium para a felicidade, e sabem te fazer chegar lá? Será que alguém tem?

 

Não me entende mal. O problema não tá na dieta. Não tá no quanto você gasta de cartão de crédito para comprar as coisinhas que você gosta. Não tá na cirurgia plástica. Tá tudo bem, até aqui. Mas quando depositamos nessas coisas (e pessoas) a expectativa de atingirmos a felicidade, quando desconstruímos quem somos e no que acreditamos - pensando que há uma fórmula com medidas práticas para a plenitude -, é hora de soar o alerta. Amiga, estamos em perigo.

 

Bom, eu sei que eu estou.

 

Vira e mexe, eu me pego olhando para o que eu não tenho, em vez de contemplar o que eu tenho. E isso me dá medo. Medo de que esse pensamento obsessivo da "falta" tire o prazer da vida. E de que a futilidade insana a que estamos expostos diariamente torne a jornada vazia, sem propósito e, talvez, até sem amor.

 

Sem amor por nós mesmos e por quem somos, sem amor por quem nos acompanha, sem amor pelo que conquistamos e temos e, pior, sem amor pela vida.

 

Dizem que “O fim justifica os meios” - mas me atentei para o potencial destrutivo dessa frase. Porque nessa lógica, nossa vida pode não valer a pena se o resultado dela não for compensatório. E detalhe que nem sabemos o quanto vamos viver, quiçá o quanto conseguiremos  construir.

 

E se der tempo de conseguirmos atingir tudo o que sempre quisemos e, mesmo assim, não nos sentirmos completos? E se isso tudo não for capaz de nos dar a sensação plena da felicidade? Quer dizer que nossa vida foi uma mentira? Quer dizer que nada valeu a pena?

 

Momento da pausa estratégica para os pensamentos intrusivos corroerem sua mente. Tá bom, pesei o clima de novo, desculpe.

 

Penso que enquanto não aceitarmos quem somos, em corpo e essência, sempre tentaremos enxergar no espelho alguém que não reflete quem a gente realmente é. Viveremos de um jeito que não faz sentido com as coisas que realmente acreditamos, e a jornada vai ser triste e solitária.

 

Desculpem a honestidade, mas dieta cetogênica e carnívora nenhuma nesse mundo vai me fazer desprezar os momentos cada vez mais raros que a minha mãe assa um bolinho no café da tarde. Ou uma segunda-feira despretensiosa que meu marido me convida para sairmos para jantar e bater papo.  Depois eu volto pra dieta. Ou bem depois... e daí?

 

Como dizem os budistas: "Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho." Ela é o reflexo de uma vida conduzida com propósito, paz de espírito e mente equilibrada.

 

Por isso, amiga, permita-se contemplar e ser feliz na vida que você tem hoje, e não na que você terá daqui 10, 30 anos.

 

Contemple as risadas.

Contemple os encontros.

Contemple quem você ama.

Contemple as suas comidinhas preferidas (com desequilíbrios estratégicos, claro).

Contemple cada oportunidade de ter alegria e ser feliz agora.

 

Exerça, hoje, o seu direito de ser feliz.

Eu sei que eu vou.

 
 
 

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